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Marcelino Vespeira
Samouco, Portugal, 1925 – Lisboa, Portugal, 2002
Figura de referência do movimento surrealista em Portugal, Vespeira construiu uma obra longa e diversificada. Emergiu em meados da década de 1940 no quadro do neorrealismo; atingiu um ponto alto nas obras surrealistas e intensamente pessoais realizadas entre 1948 e 1952; passou depois por opções abstratas para regressar, nas últimas décadas, aos temas e formas que caracterizaram o seu período surrealista.
Vespeira definia a sua apetência artística como uma herança tripla: da mãe, tecedeira de rendas (que descrevia como dotada de “geometria interior”), viria a inventiva e o gosto pelas letras; do pai, o saber da natureza; e da infância moldada na mutável paisagem da beira-rio, com a sua diversidade cultural, o gosto da irreverência e o fascínio pelo mundo. Dotada de grande coerência, a obra de Marcelino Vespeira revela um universo plástico harmonioso, poético e teatral, conjugando um desenho preciso e uma paleta sensual, com rigoroso sentido da luz e com uma inesgotável ironia e alegria de ser.